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      Em “Por uma Geografia do Poder”, Raffestin considera a Geografia Política Clássica, desenvolvida por autores como Ratzel, uma geografia do Estado. Neste contexto, ele critica a obra ratzeliana, devido à sua concepção de poder centrada no Estado. Os escritos do geógrafo alemão possuíam viés naturalista e sociológico, enfatizando o vínculo existente entre solo e Estado, principalmente através do vocábulo Boden. Para ele, a origem do Estado está nas comunidades que se fixaram no solo, explorando as potencialidades territoriais. Assim sendo, em sua geografia, o autor enfocou os conceitos espaciais, sobretudo a posição. Também versou sobre fronteiras, população, circulação, centro e periferia, entre outros temas caros à ciência geográfica nos tempos recentes. Para Raffestin, não há política somente no Estado, pois o poder político existe em toda forma de organização. Ele critica a geopolítica, a qual, em seus dizeres, vê o poder territorial hierarquizado e centralizado no Estado, negando o poder do povo. Em seu olhar, a dimensão política está em toda ação. Deste modo, toda geografia humana é uma geografia política. Para além, ele critica a naturalização das relações e organizações humanas. Destarte, ele discorda de autores como Ratzel e seus discípulos e se aproxima da concepção de poder foucaultiana. Para o francês, o poder não é único e unidimensional. Assim, ele recuperou outras escalas presentes nas relações de poder, visto que Ratzel enfatizou apenas a escala estatal. Ao conceituar poder, o geógrafo francês,muito influenciado pela definição foucaultiana, afirma que ele é exercido, não adquirido. As relações de poder não são externas a outras relações (sociais, econômicas, entre outras), são intrínsecas a elas. O poder é algo relacional, multidimensional e imanente, vinculando-se ao espaço-tempo. Suas relações são intencionais e não subjetivas, portanto, objetivas. Em geral, também são dissimétricas. Ademais, não é algo hierárquico, visto que os grupos subalternos também possuem poder. O poder está intimamente vinculado à energia e à informação, as quais manipulam os fluxos. Em toda relação de poder, há simultaneamente energia e informação. Neste âmbito, a informação não é limitada, nem aditiva. Na maioria dos casos, ela se degrada com o tempo. A informação é constituída por mensagens, as quais são transmitidas por sinais, que podem ser linguísticos ou não-linguísticos. Para o autor, a eliminação das diferenças culminaria na destruição da informação.

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